Informação é verdadeira quando comparada à safra anterior, mas exige uma ressalva: os 33,12 milhões de toneladas ainda são uma estimativa da Conab e podem ser revisados
Por Redação VER7
14 de agosto de 2026
Goiás ampliou em 5% a área cultivada com grãos, mas deve terminar a safra 2025/26 com uma produção 11,4% menor. A comparação pode parecer contraditória, mas está correta e encontra respaldo nos dados oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O estado passou de 7,59 milhões para 7,97 milhões de hectares cultivados, enquanto a produção caiu de 37,36 milhões para 33,12 milhões de toneladas.
Isso significa que Goiás incorporou aproximadamente 378,4 mil hectares às lavouras, mas deve colher 4,24 milhões de toneladas a menos.
Veredito: verdadeiro, com uma ressalva
A afirmação de que Goiás plantou 5% mais e colheu 11,4% menos é verdadeira na comparação entre os dados das safras 2024/25 e 2025/26.
A ressalva é que a safra atual ainda não está definitivamente encerrada. Os números fazem parte do 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado pela Conab em 13 de agosto de 2026, e ainda podem passar por revisões.
Por isso, a formulação mais precisa é: Goiás plantou 5% mais e deve colher 11,4% menos.
O que os dados da Conab confirmam
| Indicador | Safra 2024/25 | Safra 2025/26 | Resultado |
|---|---|---|---|
| Área cultivada | 7,593 milhões de hectares | 7,971 milhões de hectares | Aumento de 5% |
| Produtividade média | 4.921 kg por hectare | 4.155 kg por hectare | Queda de 15,6% |
| Produção de grãos | 37,363 milhões de toneladas | 33,122 milhões de toneladas | Queda de 11,4% |
O dado central está na produtividade. O rendimento médio das lavouras goianas caiu 766 quilos por hectare.
A redução percentual da produtividade, de 15,6%, foi mais de três vezes superior ao crescimento percentual da área, de 5%.
Foi essa diferença que fez Goiás produzir menos, apesar de ter destinado uma área maior ao cultivo.
Como foram calculadas as 4,24 milhões de toneladas?
O número não aparece dessa forma resumida no título da tabela estadual. Ele resulta da comparação direta entre os volumes das duas safras:
37,3631 milhões de toneladas
menos
33,1219 milhões de toneladas
igual a
4,2412 milhões de toneladas
A diferença foi inicialmente destacada em levantamento do Agronegócio Notícias, veículo especializado do Grupo Ideia Goiás, com base nos dados oficiais da Conab.
O resultado corresponde a aproximadamente 4,24 bilhões de quilos de grãos.
Como Goiás pode plantar mais e produzir menos?
A produção agrícola depende principalmente da combinação entre área cultivada e produtividade por hectare.
Se a área aumenta, mas o rendimento médio cai em proporção maior, o resultado final pode ser uma produção menor.
No caso de Goiás, a relação pode ser resumida da seguinte forma:
- Área cultivada: crescimento de 5%;
- Produtividade média: redução de 15,6%;
- Produção total: redução de 11,4%.
Portanto, a expansão de 378,4 mil hectares não conseguiu compensar a perda média de 766 quilos por hectare.
O clima explica toda a redução?
Não.
A Conab identificou condições climáticas adversas em culturas importantes, especialmente no milho segunda safra e no sorgo. Esses registros ajudam a explicar o desempenho, mas não permitem atribuir toda a redução estadual exclusivamente ao clima.
No milho, a Companhia relatou:
- Atraso no plantio devido ao ciclo mais longo da soja;
- Semeadura fora da janela preferencial;
- Falta de chuva em fases críticas;
- Impactos durante o florescimento e o enchimento dos grãos;
- Temperaturas mais baixas e chuvas durante parte da colheita;
- Maior umidade dos grãos em algumas localidades.
No sudoeste goiano, aproximadamente 40% do milho segunda safra havia sido colhido até o final de julho.
O sorgo também enfrentou estiagem durante etapas importantes do desenvolvimento. A produtividade parcial foi revisada de 3.121 para 3.065 quilos por hectare.
A produção estadual, entretanto, reúne diversas culturas, regiões e sistemas produtivos. Por isso, seria incorreto apontar apenas uma causa para toda a redução de 4,24 milhões de toneladas.
Todos os produtores de Goiás produziram menos?
Não necessariamente.
A queda de 15,6% na produtividade representa uma média estadual. Isso não significa que todos os produtores, municípios ou cultivos apresentaram a mesma redução.
Uma propriedade pode ter registrado produtividade maior, enquanto outra pode ter enfrentado perdas superiores à média.
O resultado depende de fatores como:
- Região onde a propriedade está localizada;
- Volume e distribuição das chuvas;
- Época de plantio;
- Cultura produzida;
- Tipo de solo;
- Manejo adotado;
- Tecnologia utilizada;
- Ocorrência de pragas e doenças.
Portanto, o levantamento mostra uma tendência agregada de Goiás, e não o resultado individual de cada produtor.
Todas as culturas tiveram queda?
Os dados gerais não permitem afirmar que todas as culturas produziram menos.
O volume de 33,12 milhões de toneladas reúne diferentes grãos selecionados pela Conab. Algumas culturas podem apresentar crescimento de área ou produção, enquanto outras podem registrar retração.
A redução de 11,4% corresponde ao total estadual agregado.
Para saber exatamente quais culturas ganharam ou perderam produção, é necessário analisar separadamente os dados de soja, milho, sorgo, feijão e demais produtos.
Goiás foi o único do Centro-Oeste com redução?
Sim.
Na comparação com a safra anterior, Goiás foi a única unidade do Centro-Oeste com queda na produção total de grãos.
- Mato Grosso: crescimento de 2,3%;
- Mato Grosso do Sul: crescimento de 6%;
- Distrito Federal: crescimento de 1,3%;
- Goiás: queda de 11,4%.
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal aumentaram juntos a produção em aproximadamente 4,30 milhões de toneladas. A redução goiana, de 4,24 milhões de toneladas, anulou 98,6% desse crescimento regional.
Como resultado, a safra total do Centro-Oeste cresceu apenas 62,1 mil toneladas, aproximadamente 0,03%.
Essa é uma comparação matemática. Ela não significa que Goiás tenha causado qualquer prejuízo aos estados vizinhos.
A produção brasileira também caiu?
Não.
Enquanto Goiás deve produzir menos, a safra brasileira apresenta crescimento.
A produção nacional está estimada em 360,75 milhões de toneladas, avanço de 2,4% sobre as 352,27 milhões de toneladas da safra anterior.
Com isso, a participação de Goiás na produção brasileira caiu de aproximadamente 10,6% para 9,2%.
O estado continua entre os maiores produtores nacionais, mas perdeu cerca de 1,4 ponto percentual de participação.
As 4,24 milhões de toneladas são um prejuízo financeiro?
Não.
O número representa uma redução física de produção. Não existe, nesse cálculo, uma estimativa consolidada de prejuízo em reais.
Para chegar a um impacto financeiro seria necessário separar:
- A redução de cada cultura;
- Os preços de comercialização;
- Os contratos antecipados;
- Os custos de produção;
- A qualidade e a umidade dos grãos;
- As despesas de secagem;
- Os custos de armazenagem e transporte;
- As diferenças entre as regiões produtoras.
Multiplicar as 4,24 milhões de toneladas por uma única cotação produziria um resultado impreciso, pois os grãos possuem preços, custos e condições de comercialização diferentes.
A redução fará os preços aumentarem?
Não é possível afirmar.
Uma safra menor em Goiás pode influenciar a oferta regional de determinados produtos, mas os preços também dependem da produção nacional e internacional, do câmbio, dos estoques, das exportações e da demanda industrial.
Como a safra brasileira deve crescer 2,4%, a retração goiana será avaliada dentro de um cenário nacional de maior produção.
Assim, não existe relação automática entre a queda de 11,4% em Goiás e uma eventual alta de preços.
Por que existem armazéns cheios se a produção caiu?
A Conab registrou unidades armazenadoras operando com capacidade máxima em algumas regiões de Goiás. Também houve uso de silos-bolsa como solução temporária.
Isso não contradiz a redução da safra estadual.
A situação dos armazéns depende da concentração regional da colheita, dos estoques anteriores, da velocidade de comercialização, do transporte disponível e do ritmo de entrada e saída dos grãos.
Por isso, determinadas localidades podem enfrentar falta de espaço mesmo quando o volume total de Goiás é menor que o da safra anterior.
O que está comprovado e o que ainda não pode ser afirmado
Está comprovado pelos dados disponíveis:
- Goiás ampliou a área cultivada em 5%;
- A produtividade média caiu 15,6%;
- A produção estimada recuou 11,4%;
- A diferença entre as safras é de 4,24 milhões de toneladas;
- Goiás foi a única unidade do Centro-Oeste com redução;
- A produção brasileira deve crescer 2,4%.
Não pode ser afirmado com esses dados:
- Que todos os produtores goianos tiveram prejuízo;
- Que todas as culturas produziram menos;
- Que o clima foi a única causa da redução;
- Que as 4,24 milhões de toneladas representam um valor específico em reais;
- Que os preços dos grãos necessariamente aumentarão;
- Que os números atuais são definitivos.
Perguntas frequentes
É verdade que Goiás plantou mais e colheu menos?
Sim. A área cultivada cresceu 5%, enquanto a produção estimada caiu 11,4%.
Quanto Goiás deve colher em 2025/26?
A estimativa atual é de 33,12 milhões de toneladas de grãos.
Quanto foi produzido na safra anterior?
A produção da safra 2024/25 foi estimada em 37,36 milhões de toneladas.
Qual foi a principal diferença entre as safras?
A produtividade média caiu 766 quilos por hectare, passando de 4.921 para 4.155 quilos.
Os dados são definitivos?
Não. O levantamento ainda pode ser atualizado pela Conab conforme a safra seja concluída.
Metodologia
O VER7 consultou as tabelas estaduais e regionais do 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Conab.
A diferença de 4,2412 milhões de toneladas foi obtida pela subtração da produção estimada para 2025/26, de 33,1219 milhões de toneladas, do volume de 2024/25, de 37,3631 milhões de toneladas.
A redução de 766 quilos por hectare corresponde à diferença entre as produtividades médias de 4.921 e 4.155 quilos por hectare.
Os percentuais de participação de Goiás no Brasil e as comparações com o Centro-Oeste foram calculados a partir dos volumes publicados no mesmo levantamento.
Fonte primária: 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Conab


