A prótese de silicone é posicionada durante a cirurgia em um espaço cuidadosamente planejado pelo cirurgião plástico. Ainda assim, em alguns casos, o implante pode mudar de posição ao longo do tempo.
Essa alteração é conhecida como deslocamento ou malposição do implante e pode provocar mudanças no formato, na altura ou na simetria das mamas.
Isso não significa, necessariamente, que a prótese esteja “solta”. Depois da cirurgia, o organismo forma naturalmente uma cápsula de tecido ao redor do implante, que permanece dentro do espaço criado para acomodá-lo, chamado de bolso ou loja mamária.
O deslocamento pode acontecer quando esse espaço sofre alterações ou quando os tecidos responsáveis pela sustentação da prótese deixam de oferecer o mesmo suporte.
Para onde a prótese pode se deslocar?
Existem diferentes tipos de malposição.
A prótese pode descer além do sulco natural da mama, condição conhecida como bottoming out. Também pode se deslocar lateralmente, em direção às axilas, ou permanecer em uma posição mais alta do que o esperado.
Essas alterações podem causar:
- diferença na altura das mamas;
- assimetria;
- mudança no formato mamário;
- alteração na posição aparente dos mamilos;
- sensação de que uma prótese está mais baixa ou mais lateralizada que a outra.
Por que o implante pode mudar de posição?
Não existe uma única causa.
A estabilidade da prótese depende de fatores como anatomia da paciente, qualidade da pele e dos tecidos, tamanho e peso do implante, posição em que ele foi colocado e características da própria cirurgia.
Próteses maiores e mais pesadas podem exercer maior pressão sobre os tecidos ao longo do tempo. Mulheres com pele mais fina, flacidez importante ou menor sustentação natural também podem apresentar maior predisposição a alterações de posição.
Além disso, gestação, amamentação, grandes oscilações de peso e envelhecimento podem modificar os tecidos que recobrem e sustentam o implante.
Outra situação possível é a contratura capsular, quando a cápsula formada ao redor da prótese se torna mais endurecida e pode alterar o formato da mama ou a posição do implante.
Traumas e modificações no bolso mamário também podem estar envolvidos.
Mama diferente logo após a cirurgia significa deslocamento?
Não necessariamente.
Durante as primeiras semanas do pós-operatório, é comum existir inchaço, diferença entre os lados e acomodação gradual dos implantes.
Por isso, a posição definitiva das próteses não deve ser avaliada apenas nos primeiros dias depois da cirurgia.
Entretanto, alterações importantes, progressivas ou que surgem depois de um período em que as mamas já estavam estáveis merecem avaliação médica.
É preciso fazer outra cirurgia?
Depende da causa e do grau de deslocamento.
O cirurgião plástico precisa avaliar a posição do implante, a qualidade dos tecidos, a cápsula formada ao redor da prótese e o nível de assimetria.
Quando existe indicação de correção cirúrgica, pode ser necessário ajustar ou reconstruir o bolso mamário, reposicionar a prótese e, em algumas situações, substituir o implante.
Cada caso exige uma estratégia diferente.
Por isso, a escolha da prótese não deve considerar apenas o volume desejado. Largura da mama, características do tórax, quantidade de tecido, qualidade da pele e presença de flacidez também fazem parte do planejamento.
Mesmo com uma cirurgia bem planejada, não é possível eliminar completamente o risco de deslocamento. A avaliação individualizada e a escolha adequada da técnica e do implante são fundamentais para buscar maior estabilidade, segurança e proporcionalidade.
Se uma prótese parecer progressivamente mais alta, mais baixa ou mais lateralizada que a outra, principalmente após um período de estabilidade, é importante procurar avaliação com um cirurgião plástico para identificar a causa.

