No encerramento do 2º Global Halal Brazil Business Forum 2023, em São Paulo, o Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, delineou os planos do Brasil para expandir suas relações comerciais no setor de fertilizantes com nações árabes. Este fórum, voltado para temas relevantes do mercado Halal, teve início na última segunda-feira (23).
Fávaro anunciou que o Brasil está pronto para incorporar mais 40 milhões de hectares em sua área de produção nos próximos 10 anos, sem desmatamento, e expressou o desejo de contar com parceiros árabes nesse empreendimento. Ele destacou a importância dessas nações árabes como fornecedoras cruciais de fertilizantes para o Brasil e a necessidade de ampliar essas parcerias para garantir o suprimento desse insumo essencial à produção nacional.
“O setor produtivo brasileiro está preparado para seguir a vocação do nosso país como um grande fornecedor global de alimentos seguros e de alta qualidade”, afirmou o Ministro Fávaro.
Esse aumento na produtividade, conforme enfatizado por Fávaro, será realizado com celeridade e sustentabilidade, sem desmatamento, aproveitando áreas de baixa produtividade em pastagens. Ele assegurou que a meta de incorporar 40 milhões de hectares pode ser alcançada nos próximos 10 anos.
O embaixador e presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Osmar Chohfi, destacou a colaboração entre o setor público e privado durante o Fórum, enfatizando que o Global Halal 2023 realçou a importância do trabalho conjunto entre empresas, entidades e órgãos governamentais, bem como a parceria com a Apex Brasil.
Durante os dois dias do evento, foram debatidos temas cruciais relacionados ao mercado muçulmano, como práticas ESG alinhadas com os valores Halal, o valor agregado dos produtos Halal para os consumidores, a tecnologia impulsionando os negócios internacionais Halal, logística e hubs estratégicos relacionados ao Halal, além de inovação e competitividade no turismo e entretenimento.
Relação Internacional em Crescimento
As exportações brasileiras para os países islâmicos cresceram mais de 15 vezes nas últimas duas décadas, alcançando US$28,3 bilhões em 2022, conforme dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI/Mapa), em comparação com os US$1,9 bilhão de 1997. Esses países representam cerca de 17% do total das exportações do Brasil.
Os principais importadores incluem Irã, Arábia Saudita, Egito, Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Indonésia, Argélia, Iraque e Malásia, que respondem por 75% das exportações agrícolas brasileiras para nações islâmicas. Os principais produtos exportados são açúcar bruto, milho, soja em grãos e carne de frango.
Fávaro ressaltou a importância dos importadores islâmicos de fertilizantes e identificou os principais fornecedores deste insumo, que incluem Marrocos, Catar, Israel, Egito, Omã, Argélia, Arábia Saudita e Argélia.
O Brasil é o maior produtor e exportador de proteína Halal do mundo e continua a liderar o agronegócio brasileiro no mercado Halal. A Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (SCRI/Mapa) prevê um crescimento significativo do contingente de consumidores de produtos Halal nos próximos anos.
Diante desse cenário, o Ministro Fávaro destacou a importância de buscar a expansão do comércio bilateral com países árabes, tanto por meio da abertura de mercados como por meio de acordos comerciais que ampliem o portfólio de oportunidades mútuas entre o Brasil e as nações árabes. O embaixador Chohfi salientou que o mercado Halal apresenta oportunidades de crescimento e valor agregado em toda a cadeia produtiva, abrangendo insumos e logística.