BrasilEconomiaManchetesMundo

A proposta da UE sobre carne e etanol decepciona o Mercosul e pode tornar o acordo inviável até dezembro, diz a fonte

A proposta da UE sobre carne e etanol decepciona o Mercosul e pode tornar o acordo inviável até dezembro, diz a fonte
5 (100%) 2 votes

Jornal VER7: 02 outubro 2017 – 21:38

A União Europeia ainda não apresentou a proposta sobre o mercado de etanol e carne, que falta para a negociação de um acordo de comércio livre com o Mercosul, mas os números que devem ser apresentados causaram “decepção viva” e podem tornar o acordo inviável até o final do ano, como esperado, disse uma fonte nas negociações à Reuters.

A proposta europeia para esses setores deve estar bem abaixo do que foi apresentado há 13 anos em 2004, quando as negociações de livre comércio foram iniciadas, paradas dois anos depois e retomadas em 2012.

Os europeus devem propor a importação anual de até 70.000 toneladas de carne e 600.000 toneladas de etanol, de acordo com informações não oficiais antecipadas aos negociadores sul-americanos, segundo a fonte. Em 2004, a proposta era de 100 mil toneladas de carne e 1 milhão de toneladas de etanol.

“O sentimento no Mercosul foi muito decepcionante, porque números bem abaixo do que estava na mesa em 2004. A reação às indicações não era a melhor”, de acordo com a fonte.

Uma nova rodada de negociações começou na segunda-feira e espera-se que continue até sexta-feira em Brasília. De acordo com a fonte, o que os sul-americanos ouviram é que a proposta está pronta, com apenas a assinatura faltando, mas sem autorização do “nível político mais alto” da UE.

Com autorização ou não, a proposta, se for planejada, deve bloquear as negociações. O setor da carne é um dos setores mais fortes das exportações do Mercosul, e os produtores esperam números próximos de 400 mil toneladas. No setor sucroalcooleiro, além das 600 mil toneladas de etanol, o mercado açucareiro deveria abrir, o que não deveria acontecer.

Os negociadores sul-americanos também apontam que, em 2004, a UE era composta por apenas 16 países. Agora há 28, e a oferta é menor.

Na troca inicial de ofertas em 2016, os europeus disseram que ainda não estavam prontos para apresentar propostas nessas duas áreas, o que dificultou o andamento das negociações de acesso ao mercado, uma parte central do acordo.

A UE prometeu fazer uma oferta por essa reunião de outubro para que as negociações pudessem avançar, o que até agora não chegou. Uma proposta muito mais baixa do que o esperado, como parece provável, complicará o objetivo bilateral de fechar o negócio em dezembro deste ano.

Após um impasse de dois anos, o acordo começou em 2016, quando ficou claro para os europeus que o comércio transatlântico com os Estados Unidos teria poucas chances de sucesso em um governo Trump. No entanto, existem enormes dificuldades internas na Europa.

Na semana passada, 11 países, liderados pela França e pela Irlanda, propuseram à Comissão Européia que o acordo fosse adiado até que fossem tomadas medidas para garantir que a concorrência desleal dos produtos agrícolas mais baratos exportados pelo Mercosul fosse evitada.

Países como Áustria, Bélgica, Hungria, Lituânia, Luxemburgo, Romênia, Polônia, Eslováquia e Eslovênia – como pontos vulneráveis, bem como etanol e carne, açúcar e aves de capoeira.

Uma segunda carta, defendendo o acordo, foi enviada à Comissão pela Alemanha, Itália, Grã-Bretanha, Dinamarca, Suécia, Portugal e República Checa.

As dificuldades internas na UE estão refletidas na vontade de negociar o acordo, diz a fonte. “As cartas são um reflexo de suas dificuldades internas”, disse ele.

 

Tags: Brasil, Economia, Mundo, Manchetes

Related Articles

Deixe uma resposta

Close