Jornal Ver7 – Theresa May voltará a negociar com Bruxelas sobre fronteira irlandesa

A primeira-ministra britânica, Theresa May, propôs nesta segunda-feira (21) voltar a negociar com Bruxelas o polêmico mecanismo para evitar que após o Brexit haja uma fronteira física na ilha da Irlanda, o ponto de maior conflito no acordo rejeitado pelo Parlamento britânico.

O chamado “backstop”, um mecanismo projetado para impedir o restabelecimento de uma fronteira entre a Irlanda, país-membro da UE, e a província britânica da Irlanda do Norte, foi responsável pelo fracasso retumbante de May ante o Parlamento na última terça-feira.

Menos de uma semana mais tarde, a líder conservadora voltou aos deputados com uma nova proposta que consistia em encontrar uma solução para a questão irlandesa que fosse aceitável para a maioria.

“Esta semana vou continuar discutindo com meus colegas (…) para ver como poderemos cumprir nossas obrigações com os cidadãos da Irlanda do Norte e Irlanda de forma a obter o maior apoio possível na Câmara. E depois levarei as conclusões desses debates à UE”, anunciou ao apresentar seu novo plano ante o Parlamento.

Os deputados rejeitaram na terça-feira, por esmagadora maioria, o acordo que May negociou por um ano e meio com Bruxelas: 432 votaram contra – incluindo 118 rebeldes conservadores – e apenas 202 a favor.

Esses mesmos rebeldes, além do pequeno partido sindicalista da Irlanda do Norte, DUP, decidiram no dia seguinte manter a primeira-ministra no comando ao votar contra uma moção de censura lançada pela oposição trabalhista.

A chefe de governo iniciou então reuniões com os outros partidos em busca de um consenso para acabar com o bloqueio.

Mas o diálogo falhou. O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, recusou-se a falar enquanto May não descartasse irrefutavelmente a possibilidade de um Brexit sem acordo, o que ela afirmou ser “impossível”. Outros partidos insistiram na convocação de um segundo referendo que a primeira-ministra não aceita.

– Acordo com UE? –

Assim, a nova proposta – que os deputados votarão em 29 de janeiro – é simplesmente uma versão do plano inicial que busca satisfazer os rebeldes conservadores e o DUP.

“Os fundamentos não mudaram”, disse Carolyn Fairbairn, diretora de administração do CBI. “O Parlamento permanece em neutro, enquanto a inclinação em direção à beira do abismo se torna mais pronunciada”, disse ele, referindo-se à possibilidade de um Brexit sem acordo temido pelas empresas.

A nova economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopitath, afirmou ser “imperativo que os dirigentes políticos terminem rapidamente com esta incerteza” sobre o Brexit.

Depois de se reunir com o chanceler irlandês Simon Coveney em Bruxelas, o negociador-chefe da UE, Michel Barnier, insistiu, no entanto, que o texto selado em novembro é “o melhor acordo possível”.

“Nós concordamos com o ‘backstop’ e com o Acordo de Retirada”, disse ele em declarações à emissora pública irlandesa RTE. Barnier considerou que uma renegociação deve ser sobre os termos que irão reger a relação futura entre ambas as partes após o Brexit.

O projeto de May, contudo, “tem que ser aprovado depois pela UE”, alertou o ministro espanhol das Relações Exteriores, Josep Borrell.

A explosão de um carro-bomba no sábado em Londonderry, na Irlanda do Norte, atribuída pela polícia ao grupo republicano dissidente “Novo IRA”, reacendeu as preocupações com as ameaças representadas pelo retorno de uma fronteira para a paz concluída em 1998 após três décadas de conflito sangrento.

Cerca de 52% dos britânicos votaram a favor de deixar a UE no referendo de 2016 e, após um ano e meio de negociações difíceis entre Londres e Bruxelas, a decisão deve entrar em vigor em 29 de março.

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# AFP

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