Jornal de Goiás – Por trás da selfie: adolescentes e cirurgia plástica

Uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) apontou que o Brasil é o país que mais faz cirurgia plástica em adolescentes. Esta edição do Caminhos da Reportagem dá voz a adolescentes que querem fazer cirurgia plástica e aos que já passaram por algum tipo de procedimento.

A estudante Mylena Julie tem 15 anos e tenta convencer a mãe a pagar uma cirurgia para implante de silicone. Ela acredita que as imagens que vê nas redes sociais influenciam o seu desejo. Já a comissária de bordo Flávia Almeida conta que cresceu muito complexada com a orelha em abano. Ela fez a primeira cirurgia aos 15 anos, mas a orelha voltou ao normal. Passou por uma nova cirurgia, então, já na fase adulta.

Responsável técnico pela unidade de cirurgia plástica do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, o cirurgião plástico Altino Rezende explica que há cirurgias que são estéticas e há aquelas que são reparadoras e/ou para corrigir malformações congênitas.

Kelvin dos Santos tem 14 anos e nasceu com uma malformação em uma das orelhas. Ele relata ter sofrido muito bullying na escola. Os colegas o isolavam e o maltratavam. A mãe, Ana Lúcia dos Santos, diz que o filho sempre foi uma criança muito fechada e ela notava que era por conta desse problema. Kelvin já passou por duas cirurgias de reconstrução da orelha e ainda vai fazer mais uma. “Foi muito difícil passar esse bullying que eu passei na escola e depois disso eu fiz a cirurgia e me senti outra pessoa”.

Para a nutricionista e professora da Universidade de Brasília Renata Monteiro, a insatisfação corporal está envolvida claramente em um processo de sofrimento. “Se eu estou insatisfeita com algo que é tão próprio, tão meu, que é minha imagem, como me apresento no mundo, possivelmente vou buscar coisas que façam me sentir mais aceita”, afirma. A psicanalista Márcia Maesso ressalta que é importante que os pais estejam atentos, que deem espaço de fala para o  adolescente, para que possam perceber quando é algo que se torna muito insistente e muito importante na vida do filho.

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