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Jornal de Goiás – O plano de reboque de um iceberg flutuando para aliviar a seca na Cidade do Cabo

especialista em salvamento Nick Sloane é o cérebro por trás de um esquema para rebocar um imenso iceberg da Antártida à Cidade do Cabo para aliviar a seca da cidade sul-africana

É um plano tão louco quanto a situação está desesperada – rebocar um iceberg da Antártida para a Cidade do Cabo para fornecer água potável a uma cidade em plena seca.

No início deste ano, a Cidade do Cabo chegou a semanas de fechar todas as suas torneiras e forçar os moradores a fazer fila por galões de água nos fontanários públicos.

O corte foi evitado por pouco enquanto as pessoas se esforçavam para reduzir o consumo de água e as chuvas de outono salvaram o dia. Mas a ameaça deve retornar à cidade costeira sul-africana novamente nos próximos anos.

“A ideia parece loucura”, admite o especialista em salvamento, Nick Sloane, o cérebro por trás do esquema de reboque de um iceberg. “Mas se você olhar os detalhes, não é tão louco.”

Sloane sugere envolver o iceberg em uma saia de isolamento têxtil para impedir que ele derreta e usar um superpetroleiro e dois rebocadores para arrastá-lo por 2.000 quilômetros (1.200 milhas) em direção à Cidade do Cabo usando as correntes oceânicas predominantes.

O iceberg, cuidadosamente selecionado por drones e radiografias, teria cerca de um quilômetro de comprimento, 500 metros de diâmetro e até 250 metros de profundidade, com uma superfície de mesa plana.

A água derretida poderia ser coletada a cada dia usando canais de coleta e uma máquina de moagem para criar polpa de gelo – produzindo 150 milhões de litros de água utilizável todos os dias durante um ano.

– ‘Purest freshwater on earth’ –

A ideia de Sloane pode ser descartada como mera fantasia.

Mas o zambiano-sul-africano de 56 anos tem a reputação de enfrentar o impossível depois de voltar a flutuar o gigantesco navio Costa Concordia, que virou em 2012 na ilha de Giglio, na Toscana, matando 32 pessoas – uma das maiores do mundo. maiores e mais complexas operações de salvamento marítimo.

“Os icebergs são feitos da mais pura água doce da Terra”, disse seriamente o fundador da Sloane Marine Ltd.

“Milhares rompem a cada ano. A Mãe Natureza vem provocando a humanidade com isso há muito tempo, dizendo ‘isso está aqui'”.

Ele estima que custaria US $ 100 milhões (86 milhões de euros) para transportar um iceberg em uma viagem que poderia levar até três meses, e outros US $ 50-60 milhões para coletar a água por um ano à medida que ela derrete.

“Na Rússia, eles empurraram (icebergs) para longe das instalações de petróleo – mas os pequenos, eles são cerca de meio milhão de toneladas. (Aqui) estamos falando de 100 milhões de toneladas”, disse Sloane.

– Pesando opções –

Para enfrentar a seca, a Cidade do Cabo promulgou medidas que vão desde a construção de usinas de dessalinização de água do mar até a emissão de instruções estritas para apenas lavar os banheiros quando necessário.

Mas se as autoridades da Cidade do Cabo serão persuadidas a adotar o projeto do iceberg, não está claro.

“Nesta fase, parece-nos que, de facto, as opções de água subterrânea ou de dessalinização são mais baratas ou, pelo menos, de preço de custo igual”, disse o vice-prefeito da Cidade do Cabo, Ian Neilson.

Há também perguntas sobre como a água do iceberg será canalizada para o sistema de distribuição da cidade.

Outro problema é que não há garantia de que, quando o iceberg for transportado para a Cidade do Cabo, ele ainda será capaz de produzir os volumes prometidos de água.

O plano de Sloane é rebocar o iceberg gigante a cerca de 150 km mais ao norte, até a baía St. Helena, na África do Sul, onde a corrente fria de Benguela mantém a água em torno de zero grau Celsius.

– ‘O projeto é louco’ –

Uma vez lá, o iceberg pode ser ancorado em um antigo canal submarino, sugere Sloane.

Quando o iceberg derreter, a água será coletada a cada dia, bombeada para os navios-tanque e levada para a Cidade do Cabo.

“Isso não resolverá a crise da Cidade do Cabo, mas será de cerca de 20% a 30% de suas necessidades anuais”, disse Sloane.

“O projeto é louco – sem dúvida”, disse Olav Orheim, um glaciologista norueguês com quatro décadas de experiência que está trabalhando em um projeto similar para a Arábia Saudita.

Nunca um grande iceberg foi rebocado – na verdade, o reboque do gelo para fornecer água potável seria o primeiro – e não se sabe se ele resistiria às correntes oceânicas ou simplesmente se fragmentaria em trânsito.

Mas, disse Orheim, não era mais irrealista “porque sabemos muito mais agora do que quando começamos este tipo de pesquisa há 40 anos”.

“É um projeto de alto risco, mas também (um) que pode ter uma recompensa muito alta no final”, disse Orheim.

Para Wolfgang Foerg, executivo-chefe da empresa suíça Water Vision, que se uniu à Sloane, o projeto tem um enorme potencial diante da seca cada vez mais frequente.

Quanto a Sloane, ele está pronto para a luz verde.

“Se eles nos disserem para ir agora, podemos tê-lo aqui na Páscoa (2019)”, disse ele.

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# Hamilton Sousa

Hamilton Sousa é jornalista.

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